Em Boston, o embaixador divulgou uma nota de repúdio com forte impacto no mercado. Dois aliados do agro já tinham soltado um comunicado oficial no mesmo tom. Parece até o Blog do Camarotti, mas não: esse papo rola em camarotes e pistas de festas sertanejas.

    O estilo se popularizou com papo informal e gírias acessíveis, mas agora também fala difícil. O “embaixador” Gusttavo Lima puxou uma onda de sucessos de cantores que incorporam juízes, assessores de imprensa, médicos e políticos, com títulos pomposos.

    A safra atual segue o sucesso do “sertanejo jurídico” de 2019 e 2020. Mas a linguagem burocrática foi ampliada. Agora dá pra cobrir mais editorias de um “Diário Oficial da Sofrência” imaginário. Confira:

    Diário Oficial da Sofrência — Foto: Elcio Horiuchi / G1

    Diário Oficial da Sofrência — Foto: Elcio Horiuchi / G1

    “Nota de repúdio”, do álbum “Gusttavo Lima – Butteco in Boston”, é uma das músicas que ajudam o sertanejo a recuperar o terreno nas paradas que tinha perdido durante a quarentena.

    Vale lembrar que o cantor estourou em 2011 anunciando que “hoje vai rolar o tchetchererê tchetchê”. Dez anos depois ele abraçou o apelido de “embaixador” e capricha no tom solene para manifestar sua indignação contra uma amante infiel.

    Capa do álbum 'O embaixador - The legacy', de Gusttavo Lima, mostra que o tom solene não está só nas letras, mas também no visual dos projetos recentes do cantor — Foto: Divulgação

    Capa do álbum ‘O embaixador – The legacy’, de Gusttavo Lima, mostra que o tom solene não está só nas letras, mas também no visual dos projetos recentes do cantor — Foto: Divulgação

    ‘Atenciosamente, o sertanejo’

    Antes da nota de Gusttavo, Diego & Victor Hugo soltaram seu “Comunicado oficial” em parceria com Guilherme & Santiago, com intento semelhante: anunciar formalmente o abandono amoroso.

    A compositora Paulinha Gonçalves diz ao g1 que teve a ideia quando viu nas redes sociais um post com um “comunicado oficial” que anunciava a separação da dupla Zé Henrique & Gabriel.

    “Naquele momento a postagem me chamou atenção. Eu salvei como tema e levei para os meus parceiros. Cheguei com a proposta de fazer um ‘comunicado’ para os seguidores de que o cara estava se separando, não estava com a pessoa e só ia ‘invernar na cachaça'”, explica Paulinha.

    Diego e Victor Hugo — Foto: Alysson Estopa/Divulgação

    Diego e Victor Hugo — Foto: Alysson Estopa/Divulgação

    Gusttavo também já tinha se aventurado por esse jeito de falar que parece discurso político em “Ficha limpa”, que saiu em junho e continua bem nas paradas.

    As duas músicas “trazem uma sequência de fatos, uma linha de raciocínio que eu acho bem bacana e acredito que isso também agrada o meu público, por isso, estão dando certo”, diz Gusttavo Lima ao g1.

    A base jurídica

    Os hits atuais ampliam os campos de conhecimento do “sertanejo jurídico”, que botou nas paradas mandados de prisão, operações policiais, contratos de união, divisão de bens, abandono de incapaz, legítima defesa e outros papos de tribunal.

    Ele teve seu sucesso supremo. “Liberdade provisória”, cantada por Henrique e Juliano.

    Agora os sertanejos incorporam nutricionistas, como em “Restrição sentimental”, de Gustavo Mioto. Os saberes jurídicos também seguem em voga, como em “Estelionato afetivo”, aposta de Douglas & Vinícius, gravada em parceria com Zé Neto e Cristiano.

    Douglas especifica o crime: “Ela fala de uma situação corriqueira na nossa sociedade, o estelionato afetivo, que nada mais do que uma pessoa mexer com os sentimentos de outra sem pensar nas consequências que isso pode causar na vida de quem está do outro lado.” Falou bonito.

    Fonte – g1

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